domingo, 11 de maio de 2014

O VOO BREVE DO UIRAPURU

          

Com motor de caminhão e até testes de aerodinâmica, o Brasinca 4200 GT foi um legítimo grã-turismo nacional


Nestes dias de globalização, em que a maioria dos projetos de automóveis vem do exterior, parece inacreditável a capacidade de alguns brasileiros de criar e produzir, já nos primeiros anos de nossa indústria, modelos esporte tão bons quanto muitos importados da época. Esse foi o caso do Brasinca 4200 GT ou Uirapuru, que teve particularidades como carroceria de aço feita à mão e testes de aerodinâmica em túnel de vento.

Rigoberto Soler Gisbert, um espanhol radicado no Brasil, ingressou no ramo automobilístico na Vemag, fabricante da linha DKW, onde chegou a projetar uma perua utilitária que ficou na fase de protótipo. Mais tarde esteve na Willys-Overland, envolvido no desenvolvimento de um carro-esporte maior que o Interlagos, com a mecânica de seis cilindros e 2,6 litros do Aero-Willys. Conhecido como Capeta, o carro chegou a ser apresentado no IV Salão do Automóvel, em 1964, mas nunca entrou em produção.

O desejo de Soler de produzir um esportivo de alto desempenho já ficava evidente no Capeta, este cupê que ele projetou para a Willys, nunca produzido. Observe as semelhanças de desenho

Depois da Willys, Soler trabalhou na Brasinca S.A. - Ferramentas, Carrocerias e Veículos, empresa  fundada em 1949 que fabricava carrocerias para caminhões e ônibus em São Caetano do Sul, SP. Da Brasinca havia saído a cabine do primeiro caminhão brasileiro, o FNM ("Fenemê"). Mas ela nunca havia feito automóveis.

Assim, foi bem recebida a idéia de seu novo chefe do departamento de Engenharia de Produtos -- Soler -- de projetar e produzir um cupê de grande cilindrada e alto desempenho, algo ainda inédito na indústria nacional, já que o Interlagos tinha um pequeno motor de 845 cm3. O projeto, denominado X-4200, logo ficaria conhecido como Uirapuru, nome de um pássaro silvestre da Amazônia.







PUMA

 A história da Puma se inicia em 1964, na cidade de Matão, no interior de São Paulo, quando um grupo de aficionados por automobilismo, liderados por Rino Malzoni, resolvem criar um automóvel esportivo. Já em 1965, os primeiros protótipos do GT Malzoni eram expostos.
         
Em 1967 o modelo, rebatizado como Puma, entra em produção. Era um cupê esportivo, o segundo produzido no Brasil em fibra de vidro. Seu desenho, belíssimo, criado por Anísio Campos, lembrava muito a Ferrari 250 GTO daquela época. A mecânica era DKW 1.0 (sim, os primeiros Puma tinham tração dianteira).
     
Apesar do raquítico motor 1500 a ar(posteriormente substituído pelo 1600), o carro se tornou desejado. Isso graças ao seu desenho, espetacular, que até hoje impressiona pela beleza, agressividade a aerodinâmica; e também á ótima dirigibilidade, favorecida pelo chassi bem trabalhado e pela direção pouco reduzida. o carro chegou a ser exportado para países da Europa e África. 
           
Mas a empresa não ia bem: passou por duas enchentes e um incêndio e a mecânica VW a ar já não satisfazia o consumidor. Tentaram uma negociação com a japonesa Daihatsu para fornecimento de tecnologia para a produção de um carro urbano, mais não deu em nada. Em 1985, endividada com seus fornecedores, a Puma é vendida para Araucária Veículos, de Curitiba, que interrompe a produção.
       
 Então em 1987, o empresário Nívio de Lima, proprietário da metalúrgica Alfa Metais, compra a Puma e constrói uma nova fábrica na cidade Inustrial de Curitiba.
         
 Em 1988 é lançado o GTB, que com desenho revisado e acabamento ainda melhor passa a chamar-se AMV. Em 1989 veio o AM-3, o novo "Puminha", agora com novo chassi Tubular e motor VW 1.6 a água (AP-600) instalado na traseira, mas mantendo a identidade do seu estilo, bem como a tração traseira. A empresa passou ainda a diversificar, iniciando a produção de pequenos caminhões(com motores MWM e câmbio Clarck).
       
Mas em 1989, com a Abertura do mercado, os carros japoneses ofuscaram o brilho dos novos esportivos Puma, que acabaram descontinuados em 1990. Pouquíssimas unidades do AMV e AM-3 chegaram a ser produzidas. Em 1998 a Ford comprou os direitos sobre o nome "Puma" a fim de lançar um pequeno cupê com esse nome.

             

             
   
             
             
            
  

sábado, 10 de maio de 2014

DELOREAN DMC-12

Vinte cinco anos depois de ser criado, o DeLorean DMC-12 ainda é famoso por conta do filme "De Volta para o Futuro", onde o Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd) e Marty Mc Fly (Michael J. Fox) viajavam no tempo em uma "máquina estranha", parecida com um automóvel, mas que nada mais é que este carro lendário, uma peça importante na história dos fabricantes independentes de automóveis.

A história deste modelo começa quando um executivo da General Motors, John Z. DeLorean, desafiou a indústria automotiva quando decidiu fabricar seus próprios carros esportivos, os quais ele garantia que seriam "éticos". O local escolhido para esta aventura do mundo real foi a Irlanda do Norte, para ser mais específico a cidade de Dummurry.

Foi criado então o DMC-12. Um carro feito de aço inoxidável, polido e sem pintura. O criador do conceito era ninguém menos do que o mítico Giorgetto Giugiaro. O desenho era fenomenal, e as portas no estilo "asa de gaivota" faziam o carro parecer realmente de outro tempo, ou de outro planeta. Talvez por esta razão Robert Zemeckis tenha o colocado no filme.

A mecânica corria a cargo de um motor central de origem franco-sueca. Um PRV (Peugeot, Renault, Volvo) de seis cilindros em V de quase três litros e injeção de combustível Bosch K-Jetronic, novidade na época, mas convencional. O DMC-12 não era um foguete, seu desempenho era mediano. O carro era até muito caro para o que era oferecido. 

A ironia deste automóvel, cujo criador chamou de "ético", é que foram usados alguns meios muito pouco "éticos" para salvar a companhia da falência. Inclusive John Z. DeLorean foi acusado, julgado e preso por tráfico de drogas de mais de 25 milhões de dólares, e foi absolvido em 1984. O criador do DMC-12 morreu em 2005 e, além de desafiar os gigantes do mundo automotivos nos Estados Unidos, deixou criações consagradas como o Pontiac GTO.

Na curta vida da marca - 1981 e 1982 - foram produzidas 6.500 unidades. Mas hoje se pode comprar um DeLorean DMC-12 com zero quilômetro em uma produtora independente que comprou os direitos sobre a marca em 1997.

Fonte: uol.com.br